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MATA - SOBRAL PICHÔRRO

(Dois Povoados , uma só Freguesia)

A nossa terra é uma freguesia composta por dois povoados, o SOBRAL PICHÔRRO, sede da freguesia e o lugar da MATA, povoação anexa.

A aldeia da MATA, outrora designada por “Quinta da Mata Gata”, situa-se no vale, e tem a seus “pés” a ribeira, chamada “do pisco”, vá-se lá saber porquê!?, a qual vai desaguar no Rio Mondego. A poente, corre-lhe um pequeno ribeiro, que nasce algures na encosta de Maceira!? e que, pela lógica da corrente que é feita, de Sul/Poente para Norte/Nascente, vai desaguar na dita ribeira “do pisco”!. A Mata está pois, estrategicamente “entalada” por correntes de água, dai que a mesma nunca lá tenha faltado, mesmo nos escaldantes estios de antigamente.

Como sabemos, na nossa aldeia da Mata, não abundam monumentos nem grandes casas senhoriais; contudo, de nós todos é conhecida, no centro da aldeia, a Capela de Santo António, um monumento simples, construído em granito datado do século XIII (???), bem como o cruzeirinho do Senhor do Bom Fim, em forma de nicho, situado na rua com o mesmo nome, ou na entrada vindo da ribeira, o monumento á Sagrada Família, todo ele, inclusive as três imagens, erigido com o material mais abundante e característico da nossa região, o granito.

Ao entramos na Mata, vindos do Sobral, encontramos a escola primária, transferida da sede da freguesia em 28 de Setembro de1928, a qual, para muitos de nós, está intimamente ligada ás nossas memórias de infância, quer do aprender as primeiras letras, quer das brincadeiras. Neste ultimo aspecto, como poderemos esquecer o agradável espaço envolvente, nomeadamente a beleza primaveril das suas tílias, ou o campo de futebol onde dé-mos os primeiros chutos na bola, bem como o depósito da água, palco para tantos conjuntos nos animarem nas festas da nossa aldeia. Infelizmente, já há alguns anos, que a nossa terra não possui crianças para a escola funcionar, nem para o belo espaço envolvente alegrar.

 

Quanto á nossa aldeia do Sobral Pichôrro, sede de freguesia, como todos sabemos situa-se no sopé da encosta de Maceira, e com as casas colocadas ao longo e ao correr da estrada principal, faz lembrar um comboio com as suas carruagens, principalmente quando vista do alto das Fuinhas.

 

Ao que consta, a nossa terra viu o seu nome nascer de duas circunstâncias absolutamente distintas: Sobral virá de sobro, cortiça, sobreiro, em virtude de na localidade ter existido uma considerável quantidade de sobreiros, e Pichôrro, terá sido acrescentado após as invasões francesas, em virtude de as suas gentes, com a hospitalidade que lhe é reconhecida, ou, quiçá, com receio de males maiores por parte do invasor, terem servido vinho (e que bom que ele é, principalmente se for da Vitoreira!) aos oficiais de Napoleão Bonaparte em Pichôrro vidrado, contrariamente ao que fizeram com os soldados, que foram servidos em copos de madeira. Ou terá sido de cortiça!?. Não quiseram as gentes do Sobral fazer distinção entre os oficiais franceses e os soldados da mesma tropa! O que sucedeu é que os ditos Pichôrros vidrados não abundavam na época, ao contrário dos copos de madeira, ou de cortiça!?, que eram os utensílios mais em uso para matar a sede do pessoal.

Monumentalmente, a sede da freguesia é mais rica, tendo o Sobral Pichôrro três monumentos classificados como património nacional, a Capela de Santo Cristo, a Capela dos Girões ou Capela do Seminário e a Igreja de Nossa Senhora da Graça (Igreja Matriz).

A Capela de Santo Cristo data do século XII e consta-se que foi mandada edificar por D. Afonso Henriques.

Quanto á Capela dos Girões, também conhecida por Capela do Seminário ou Capela S. Luís Beltrão, é anexa ao Solar ou casa do Sobral, hoje propriedade do seminário de S. José, tendo sido a capela e solar edificadas no reinado de Filipe II de Espanha.

No final da página, apresenta-se um resumo relativo a estes três monumentos, extraídos da página www.arqueobeira.net, que se aconselha a visitar.

A Norte, ao fundo da nossa aldeia, existe ainda uma outra capelinha, a do Senhor da Piedade, onde ainda se encontram vestígios de uma forca, a qual, segundo a tradição, servia para que os condenados olhassem, “olhos nos olhos” a imagem do Senhor da Piedade e se arrependessem na expiação final dos seus crimes ou delitos. Que se saiba, porém, nem o Senhor da Piedade era piedoso para com os condenados, que lá acabavam a “espernear” na forca, nem consta que algum se tivesse arrependido dos seus actos!.

Junto á casa da D. Natália Campos, existe um cruzeiro conhecido por “Alminhas”, construído em 1888, com o seguinte inscrito curioso:

”Dai esmola a quem não pode pelas portas mendigar. Vós alegres no mundo e nós tristes a penar”.

O Sobral teve pela primeira vez escola masculina em 1864, sendo seu primeiro professor o Senhor Marcelino Dias Monteiro Amador. A escola feminina foi criada por decreto em 25 de Maio de 1899, tendo como sua primeira professora a Senhora Ana Joaquina Vital de Matos. Estas escolas foram depois convertidas numa só escola mista. No Sobral existiu um posto da Guarda Nacional Republicana há anos desactivado, bem como um posto de Correios e Telefones (CTT), actualmente sede da Junta de Freguesia.

Também presente na memória das gentes da nossa terra está a qualidade e sabor especial de entre outros produtos, do cabrito assado, do vinho, do azeite, das azeitonas, do requeijão, do soro e do queijo da nossa terra.

Falámos de algumas características das nossas aldeias, povoações tipicamente rurais, bonitas do ponto de vista paisagístico, servidas de estradas de asfalto, ruas calcetadas com granito da região, casas com energia eléctrica, água ao domicílio e saneamento básico. Felizmente que o tempo da candeia já lá vai, pelo menos há quarenta anos, só não falámos do seu maior problema, o decréscimo e envelhecimento galopante da população residente. Infelizmente, alguns usos e costumes tradicionais, que ajudavam a “suavizar” o dia a dia da dura vida rural, foram-se perdendo. O tempo em que, ao domingo, se faziam dois bailes nas aldeias, um na rua de baixo, outro na rua de cima; em que se jogava á pela, em que se realizavam os casamentos fictícios e satíricos pelo Carnaval já lá vai. A rivalidade entre a Mata e o Sobral deixou de ter razões de existir, se quisermos fazer uma equipa de futebol de cinco já temos de nos juntar.

Falemos então das gentes da nossa terra, essa gente divertida e hospitaleira, cujo carácter e vontade têm as suas raízes na natureza agreste, das pedras, do frio e do calor que nos viu nascer. Falemos da gente que com estas raízes se encontra espalhada pelos quatro cantos do mundo. Estejamos onde estivermos, o património descrito pertence-nos. Se quisermos, A NOSSA TERRA não é pequena, É GRANDE, vai da freguesia de Sobral Pichôrro ao Brasil, aos EUA à Austrália...., a qualquer parte do mundo onde alguém habita e sente esta terra como sua.

Na nossa terra não abundam monumentos, mas um há, que nos deve orgulhar a todos, não pela sua beleza arquitectónica, não pela qualidade dos materiais utilizados ou pela riqueza do seu recheio, mas sim por aquilo que representa, e o Centro de Dia da Mata representa aquilo que a vontade e o crer colectivo das nossas gentes conseguiu e mostra-nos que se quisermos poderemos fazer muito mais. Como sabemos o edifício não foi construído com qualquer ajuda do estado, foi sim, fruto da vontade e da generosidade das nossas gentes, destacando-se, porque é de Justiça fazê-lo, o apoio dos não residentes, e foram muitos aqueles que estando fora, não esqueceram a sua terra.

 

Actualmente os desafios são outros e igualmente ambiciosos:

Vamos dar vida à nossa terra, vamos estabelecer laços e promover o conhecimento entre as pessoas das nossas terras, independentemente do local onde vivem; vamos valorizar o nosso património comum tornando as nossas terras num local de encontro, onde cada um de nós não é mais um, mas sim um local onde temos um nome, onde conhecem os nossos filhos, os nossos pais, tios etc.

Não será fácil, mas se cada um de nós pensar de que forma pode ajudar a sua terra, se cada um acreditar que ter uma terra é uma mais valia e que sonhar é importante na vida, juntos conseguiremos um local onde cada um de nós e os nossos filhos se sentirão em casa e orgulhosos de convidarem os amigos.

Conte com a vontade, empenhamento e espírito de iniciativa dos poucos jovens e menos jovens residentes, acredite nas ideias, na vontade e na capacidade dos não residentes, que nós contamos com as suas ideias, a sua presença, a sua colaboração e vontade férrea de não deixar morrer a sua terra.

Capela de Santo Cristo

NºIPA 0905130007

Localização: Lg. da Igreja

Época de Construção: Séc. 14 / 15 (conjectural)

Protecção IIP: Dec. nº 33 587, DG 63 de 27 Março 1944

Propriedade: Estatal

Enquadramento: Capela rodeada por muro e jardim e assente em afloramentos rochosos; fronteiro à Igreja de Nossa Senhora da Graça.

 

 

 

Capela dos Girões *1 / Capela do Seminário

NºIPA: 0905130009

Época de Construção: Séc. 16 / 17

Designação: Capela dos Girões *1 / Capela do Seminário

Localização: Via a N. do Lg. da Igreja

Protecção: IIP, Dec. nº 129/77, DR de 29 de Setembro 1977

Enquadramento: Urbano; situada em terreno desnivelado, confinando com a via pública, formando pequeno adro gradeado e antecedido por degraus; adossada a NO. e a NE. às dependências do antigo Seminário de São José.

Cronologia: Séc. 16 - residia em Sobral Pichorro uma família aristocrática de origem espanhola, descendente de Manuel Beltrão, filho do 1º Duque de Albuquerque, família que terá edificado um solar e a capela dedicada a São Luís Beltrão; séc. 16, fins de - casamento do Dr. João Beltrão, graduado em cânones pela Universidade de Coimbra e familiar do Santo Ofício, com D. Maria Caetana de Sousa Amado; 1715 - D. Maria Caetana de Sousa Amado, já viúva, pediu licença ao Bispo para a benção da capela, a qual foi benzida pelo pároco da freguesia, Padre Francisco da Trindade; 1934 - inauguração do Seminário de São José que se terá instalado no solar ou que o terá reedificado.

 

 

 

Igreja Matriz de Sobral Pichorro / Igreja de Nossa Senhora da Graça

NºIPA: 0905130011

Designação: Igreja Matriz de Sobral Pichorro / Igreja de Nossa Senhora da Graça

Localização: Lg. da Igreja

Protecção: VC, Desp. 30 de Maio 1984

Propriedade: Privada: Igreja Católica

Época de Construção: Séc. 18 (conjectural)

Cronologia: Séc. 13 - possível existência da povoação de Sobral Pichôrro, cujo toponómio original era Soveral; repovoamento talvez devido à acção da paróquia de Algodres, donatária do lugar; séc. 18, finais - hipotética edificação de igreja; era Curato da apresentação do Prior da Abadia de Santa Maria de Algodres; 1856 - construção da torre sineira a expensas dos moradores; séc. 20, meados - colocação do lambril de azulejos interior; o retábulo de talha dourada do altar-mor foi retirado e levado para Viseu; foram também retirados outros retábulos.

Tipologia: Igreja barroca popular. Elementos setecentistas: frontão curvilíneo no pórtico principal em arco abatido; coroamento curvilíneo entrecortado. Arquitectura regional: planta longitudinal; dois rectângulos justapostos; vãos em arco recto de moldura simples ou com friso interrompido superiormente; tratamento menos cuidado nos alçados secundários

Enquadramento: Urbano; isolado; situado em terreno desnivelado na confluência de várias vias; fronteiro à Capela de Santo Cristo.

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Autor: Henrique Alves
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