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| Página suportada pela Associação Sócio-Cultural e Recreativa da Mata |
| » MATA - SOBRAL PICHÔRRO « | ||
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(Dois Povoados , uma só Freguesia) A nossa terra é uma freguesia composta por dois povoados, o SOBRAL PICHÔRRO, sede da freguesia e o lugar da MATA, povoação anexa. A aldeia da MATA, outrora designada por “Quinta da Mata Gata”, situa-se no vale, e tem a seus “pés” a ribeira, chamada “do pisco”, vá-se lá saber porquê!?, a qual vai desaguar no Rio Mondego. A poente, corre-lhe um pequeno ribeiro, que nasce algures na encosta de Maceira!? e que, pela lógica da corrente que é feita, de Sul/Poente para Norte/Nascente, vai desaguar na dita ribeira “do pisco”!. A Mata está pois, estrategicamente “entalada” por correntes de água, dai que a mesma nunca lá tenha faltado, mesmo nos escaldantes estios de antigamente.
Ao entramos na Mata, vindos do Sobral, encontramos a escola primária, transferida da sede da freguesia em 28 de Setembro de1928, a qual, para muitos de nós, está intimamente ligada ás nossas memórias de infância, quer do aprender as primeiras letras, quer das brincadeiras. Neste ultimo aspecto, como poderemos esquecer o agradável espaço envolvente, nomeadamente a beleza primaveril das suas tílias, ou o campo de futebol onde dé-mos os primeiros chutos na bola, bem como o depósito da água, palco para tantos conjuntos nos animarem nas festas da nossa aldeia. Infelizmente, já há alguns anos, que a nossa terra não possui crianças para a escola funcionar, nem para o belo espaço envolvente alegrar.
Ao que consta, a nossa terra viu o seu nome nascer de duas circunstâncias absolutamente distintas: Sobral virá de sobro, cortiça, sobreiro, em virtude de na localidade ter existido uma considerável quantidade de sobreiros, e Pichôrro, terá sido acrescentado após as invasões francesas, em virtude de as suas gentes, com a hospitalidade que lhe é reconhecida, ou, quiçá, com receio de males maiores por parte do invasor, terem servido vinho (e que bom que ele é, principalmente se for da Vitoreira!) aos oficiais de Napoleão Bonaparte em Pichôrro vidrado, contrariamente ao que fizeram com os soldados, que foram servidos em copos de madeira. Ou terá sido de cortiça!?. Não quiseram as gentes do Sobral fazer distinção entre os oficiais franceses e os soldados da mesma tropa! O que sucedeu é que os ditos Pichôrros vidrados não abundavam na época, ao contrário dos copos de madeira, ou de cortiça!?, que eram os utensílios mais em uso para matar a sede do pessoal.
Quanto á Capela dos Girões, também conhecida por Capela do Seminário ou Capela S. Luís Beltrão, é anexa ao Solar ou casa do Sobral, hoje propriedade do seminário de S. José, tendo sido a capela e solar edificadas no reinado de Filipe II de Espanha. No final da página, apresenta-se um resumo relativo a estes três monumentos, extraídos da página www.arqueobeira.net, que se aconselha a visitar. A Norte, ao fundo da nossa aldeia, existe ainda uma outra capelinha, a do Senhor da Piedade, onde ainda se encontram vestígios de uma forca, a qual, segundo a tradição, servia para que os condenados olhassem, “olhos nos olhos” a imagem do Senhor da Piedade e se arrependessem na expiação final dos seus crimes ou delitos. Que se saiba, porém, nem o Senhor da Piedade era piedoso para com os condenados, que lá acabavam a “espernear” na forca, nem consta que algum se tivesse arrependido dos seus actos!. Junto á casa da D. Natália Campos, existe um cruzeiro conhecido por “Alminhas”, construído em 1888, com o seguinte inscrito curioso: ”Dai esmola a quem não pode pelas portas mendigar. Vós alegres no mundo e nós tristes a penar”. O Sobral teve pela primeira vez escola masculina em 1864, sendo seu primeiro professor o Senhor Marcelino Dias Monteiro Amador. A escola feminina foi criada por decreto em 25 de Maio de 1899, tendo como sua primeira professora a Senhora Ana Joaquina Vital de Matos. Estas escolas foram depois convertidas numa só escola mista. No Sobral existiu um posto da Guarda Nacional Republicana há anos desactivado, bem como um posto de Correios e Telefones (CTT), actualmente sede da Junta de Freguesia. Também presente na memória das gentes da nossa terra está a qualidade e sabor especial de entre outros produtos, do cabrito assado, do vinho, do azeite, das azeitonas, do requeijão, do soro e do queijo da nossa terra. Falámos de algumas características das nossas aldeias, povoações tipicamente rurais, bonitas do ponto de vista paisagístico, servidas de estradas de asfalto, ruas calcetadas com granito da região, casas com energia eléctrica, água ao domicílio e saneamento básico. Felizmente que o tempo da candeia já lá vai, pelo menos há quarenta anos, só não falámos do seu maior problema, o decréscimo e envelhecimento galopante da população residente. Infelizmente, alguns usos e costumes tradicionais, que ajudavam a “suavizar” o dia a dia da dura vida rural, foram-se perdendo. O tempo em que, ao domingo, se faziam dois bailes nas aldeias, um na rua de baixo, outro na rua de cima; em que se jogava á pela, em que se realizavam os casamentos fictícios e satíricos pelo Carnaval já lá vai. A rivalidade entre a Mata e o Sobral deixou de ter razões de existir, se quisermos fazer uma equipa de futebol de cinco já temos de nos juntar. Falemos então das gentes da nossa terra, essa gente divertida e hospitaleira, cujo carácter e vontade têm as suas raízes na natureza agreste, das pedras, do frio e do calor que nos viu nascer. Falemos da gente que com estas raízes se encontra espalhada pelos quatro cantos do mundo. Estejamos onde estivermos, o património descrito pertence-nos. Se quisermos, A NOSSA TERRA não é pequena, É GRANDE, vai da freguesia de Sobral Pichôrro ao Brasil, aos EUA à Austrália...., a qualquer parte do mundo onde alguém habita e sente esta terra como sua.
Actualmente os desafios são outros e igualmente ambiciosos: Vamos dar vida à nossa terra, vamos estabelecer laços e promover o conhecimento entre as pessoas das nossas terras, independentemente do local onde vivem; vamos valorizar o nosso património comum tornando as nossas terras num local de encontro, onde cada um de nós não é mais um, mas sim um local onde temos um nome, onde conhecem os nossos filhos, os nossos pais, tios etc. Não será fácil, mas se cada um de nós pensar de que forma pode ajudar a sua terra, se cada um acreditar que ter uma terra é uma mais valia e que sonhar é importante na vida, juntos conseguiremos um local onde cada um de nós e os nossos filhos se sentirão em casa e orgulhosos de convidarem os amigos. Conte com a vontade, empenhamento e espírito de iniciativa dos poucos jovens e menos jovens residentes, acredite nas ideias, na vontade e na capacidade dos não residentes, que nós contamos com as suas ideias, a sua presença, a sua colaboração e vontade férrea de não deixar morrer a sua terra. Capela de Santo Cristo NºIPA 0905130007 Localização: Lg.
da Igreja Época de Construção: Séc.
14 / 15 (conjectural) Protecção IIP:
Dec. nº 33 587, DG 63 de 27 Março 1944 Propriedade: Estatal Enquadramento: Capela
rodeada por muro e jardim e assente em afloramentos rochosos; fronteiro à
Igreja de Nossa Senhora da Graça. Capela dos Girões *1 /
Capela do Seminário NºIPA: 0905130009 Época de Construção: Séc.
16 / 17 Designação: Capela
dos Girões *1 / Capela do Seminário Localização:
Via a N. do Lg. da Igreja Protecção:
IIP, Dec. nº 129/77, DR de 29 de Setembro 1977 Enquadramento:
Urbano; situada em terreno desnivelado, confinando com a via pública, formando
pequeno adro gradeado e antecedido por degraus; adossada a NO. e a NE. às
dependências do antigo Seminário de São José. Cronologia:
Séc. 16 - residia em Sobral Pichorro uma família aristocrática de origem
espanhola, descendente de Manuel Beltrão, filho do 1º Duque de Albuquerque,
família que terá edificado um solar e a capela dedicada a São Luís Beltrão;
séc. 16, fins de - casamento do Dr. João Beltrão, graduado em cânones pela
Universidade de Coimbra e familiar do Santo Ofício, com D. Maria Caetana de
Sousa Amado; 1715 - D. Maria Caetana de Sousa Amado, já viúva, pediu licença ao
Bispo para a benção da capela, a qual foi benzida pelo pároco da freguesia,
Padre Francisco da Trindade; 1934 - inauguração do Seminário de São José que se
terá instalado no solar ou que o terá reedificado. Igreja Matriz de Sobral
Pichorro / Igreja de Nossa Senhora da Graça NºIPA:
0905130011 Designação:
Igreja Matriz de Sobral Pichorro / Igreja de Nossa Senhora da Graça Localização:
Lg. da Igreja Protecção:
VC, Desp. 30 de Maio 1984 Propriedade:
Privada: Igreja Católica Época de Construção:
Séc. 18 (conjectural) Cronologia:
Séc. 13 - possível existência da povoação de Sobral Pichôrro, cujo toponómio
original era Soveral; repovoamento talvez devido à acção da paróquia de
Algodres, donatária do lugar; séc. 18, finais - hipotética edificação de
igreja; era Curato da apresentação do Prior da Abadia de Santa Maria de
Algodres; 1856 - construção da torre sineira a expensas dos moradores; séc. 20,
meados - colocação do lambril de azulejos interior; o retábulo de talha dourada
do altar-mor foi retirado e levado para Viseu; foram também retirados outros retábulos. Tipologia: Igreja
barroca popular. Elementos setecentistas: frontão curvilíneo no pórtico
principal em arco abatido; coroamento curvilíneo entrecortado. Arquitectura
regional: planta longitudinal; dois rectângulos justapostos; vãos em arco recto
de moldura simples ou com friso interrompido superiormente; tratamento menos
cuidado nos alçados secundários Enquadramento: Urbano; isolado; situado em terreno desnivelado
na confluência de várias vias; fronteiro à Capela de Santo Cristo. |
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| Autor: Henrique Alves E-mail· » Associação Sócio-Cultural e Recreativa da Mata « | ||